terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Laboratório de Videodança no MOVA

Em 2017 será oferecido no Espaço MOVA (Glória) o Videodança Lab. Paralelamente à disciplina de Videodança na UFRJ (que continua este ano), este laboratório tem caráter hiper prático por ser mais curto - 1 encontro semanal de março a maio. A experimentação se dará da seguinte forma:

A proposta é que as pessoas tragam algumas imagens (vídeo, foto, desenho, pintura, rabisco, música, áudio ou descrição) para o grupo e, ao longo dos encontros, trabalhem coletivamente na construção destas imagens em Vídeo Dança.
O grupo vai se aproximar da linguagem cinematográfica durante as práticas e aprender técnicas especiais oriundas do cruzamento entre performance e vídeo. As filmagens terão apoio da Kombi do Videocoletivo. Ao total serão nove encontros e uma Mostra com diálogos como encerramento.

Outra novidade é o custo. Seguindo a lógica do Consumo Consciente, optamos pela colaboração espontânea sem determinar um valor mínimo.

Mais informações: videocoletivo@gmail.com

Videodança Lab.
09 de março a 04 de maio.
Quinta-feira, de 15 às 17h.

R. Hermenegildo de Barros, 73 (próx. metrô Glória)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

UFRJ oferece disciplina de videodança

1 ano após a realização da oficina de videodança no Centro Coreográfico, a Escola de Comunicação da UFRJ vai oferecer a disciplina "Videodança - edição como coreografia", voltada para estudantes de graduação dos cursos de Rádio e TV e Direção Teatral.
Durante o meu primeiro semestre de mestrado, desenvolvi uma metodologia de ensino da videodança com foco sobre o olhar cinematográfico. Diferentemente da oficina no CCo (que durou 2 dias), este curso extensivo proporciona, junto aos participantes, maior aprofundamento sobre a linguagem híbrida, sob o ponto de vista das relações entre corpo, imagem e som intermediadas pelos processos de edição audiovisual. A ementa ficou sucintamente assim:

"Partindo do conceito expandido de coreografia, que deixou de ser exclusivamente relativo à dança e passou a descrever diversos sistemas baseados na lógica de movimento, o curso (teórico-prático) planeja introduzir a ideia de coreografia nos processos de edição audiovisual. Num primeiro momento, serão apresentadas algumas das referências artísticas e bibliográficas mais relevantes para a história das relações entre dança e audiovisual. Em seguida, serão exploradas técnicas e dinâmicas que envolvem ambas as linguagens. Na etapa final, será proposto um exercício prático em aula externa e uma mostra de vídeos."

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Proposta pedagógica


A oficina de videodança abre espaço para bailarinos, músicos e artistas visuais que estejam interessados em investigar a potência do corpo no vídeo. Entendido como objeto de arte, o(a) videodança é um produto audiovisual editado, resultante do contato entre câmera e corpo (em seu amplo sentido). A dança, por sua vez, manifesta-se no vídeo como sendo o rítmo desse contato, desencadeado pelos processos de edição. Isso quer dizer que a dança aqui não se restringe à coreografia dos bailarinos; ela vai além e age diretamente na estrutura temporal do vídeo, na própria coreografia da imagem.

A proposta da oficina é oferecer uma espécie de "caminhada" (no lugar de aulas), onde cada passo é dado individualmente, mas também em grupo, de acordo com a proximidade pessoal de cada um com as linguagens da dança, da música e/ou da cinematografia. Com tantos pontos de partida, é conveniente discutir quais os campos por onde vai caminhar a videodança.

A travessia desses caminhantes e suas bagagens, repletas de particularidades, gera então o estreitamento dos caminhos, fundamental para se perguntar: Qual o meu lugar na videodança? Quais outros lugares existem ao redor? Posso atravessar e experimentar habitá-los? Ou ainda, alargando os limites: Qual a planta baixa disso? Qual a rota para videodança? Existem aspectos específicos que a caracterizem? Afinal, videodança é alguma coisa? Posso ser um videodancer?

Sem privilegiar uma resposta assertiva, sem tentar encontrar um caminho definitivo, a condução da "caminhada" se dá de forma descentralizada, a fim de proporcionar um espaço aberto tanto às proposições do corpo coletivo quanto à criatividade individual. Não se trata de seguir por um trajeto planejado, mas ao contrário, de conduzir (e deixar ser conduzido) por diversos caminhos que proporcionem momentos de partilha e descoberta. O objetivo, assim, não é encontrar o fim desse caminho, mas descobrir quais pontos de encontro existem dentro dele. Para isso, é preciso observar a paisagem e apreender o passado dos lugares, imaginando no horizonte onde possa estar a videodança. Ou seja, é preciso caminhar atentando às subjetividades que atravessam à frente, para em seguida encarar as escolhas de caminho como dúvidas conscientes.

Num primeiro momento, a oficina propõe uma atividade para analisar o espaço interno e externo do corpo segundo a perspectiva da câmera-corpo. Trata-se de um jogo de escuta corporal que funciona organizando os participantes em trios, colocando-os para experimentar os lugares do cameraman, da câmera e do objeto (ver registro abaixo). A atividade, inspirada no método do artista britânico Simon Fildes, usa as palavras ação e corta para criar um dispositivo vivo de edição tripartida, dedicado aos fluxos que permeiam as três funções. É um exercício de escolha e escuta, de improviso e adaptação.

Num segundo momento, vemos quais rotas a relação corpo/cinema seguiu até hoje, desde os experimentos de Eadweard Muybridge com a pesquisa sobre movimento dos corpos, até chegar aos festivais focados em videodança, como o Dança em Foco (Rio de Janeiro). Ao final dessa etapa de atenção ao passado histórico da videodança, é sugerida a leitura do texto “A edição como coreografia”, da pesquisadora Karen Pearlman, conhecida por articular a noção de ritmo no cinema. O artigo, publicado na última edição do livro “Dança em Foco – Ensaios Contemporâneos de Videodança”, reúne as noções de música e edição para introduzir os conceitos de pulso e frase como unidades básicas do movimento.

Tudo isso para introduzir o tema da edição: nesta etapa, além de examinar o texto de Pearlman, vamos ver diversos exemplos em vídeo que derivam de diferentes pontos de partida, incluindo a videodança Usina, do autor deste projeto. O trabalho, que circulou em mostras do Brasil, Portugal e Holanda, exemplifica a potência do pulso nos processos de criação da videodança. Pretende-se também nessa etapa explorar o vocabulário que se usa na produção/edição de vídeo a linguagem audiovisual. Serão ainda discutidas ferramentas de edição.

Em seguida, há uma técnica particular a ser compartilhada – dance with body camera1. Não se trata de pôr a dança em função da câmera, nem de dirigir a coreografia para as lentes, tal como a exposição Dance With Camera tratou em 2010. Na ocasião, Janelle Porter (ICA) curou a mostra no Contemporay Arts Museum of Houston – apresentando trabalhos de artistas como Bruce Nauman, Charles Atlas, Merce Cunningham, Trisha Brown e Yvonne Rainer – a fim de apontar a noção de “dance with camera” diretamente para “choreography for the camera”. Nessa operação, a coreografia é pensada para a câmera e para a edição, cercando o espaço de atuação. Não é exatamente o que esta oficina propõe: Como já dito, esse é um possível caminho para a produção de videodanças. A ideia aqui, entretanto, é reapontar a noção de dance with camera para dance with body camera, apresentando movimentos de corpo que servem a uma espécie de cameraman bailarino. Entra em ação a body camera, a câmera-corpo, a câmera na mão dançante. Logo, as funções de bailarino e cameraman se cruzam: Seria o nascimento do videodancer? Dance with camera, portanto, não é conceber uma performance exclusivamente para a câmera; Dançar com câmera é estar disposto a produzir imagens dançantes através da integração entre câmera e corpo.

A etapa final consiste em um exercício prático. A proposta é fazer uma videodança em 72 horas. Em 3 dias, faz-se o planejamento, a produção e a edição do vídeo. Ao final, uma sessão reúne os trabalhos e um bate-papo encerra a oficina.

O calendário da oficina propõe 10 encontros que podem ser contínuos ou divididos em 3 encontros por semana.

#1 - apresentação e reconhecimento
#2 - recorte histórico das relações entre corpo e cinema
#3 - ritmo no cinema
#4 - pensar edição: música, movimento e fragmentação
#5 - convenções da linguagem audiovisual
#6 - câmera-corpo e videodancer
#7 - Exercício pt.1
#8 - Exercício pt.2
#9 - Exercício pt.3
#10 - Mostra de vídeos e bate-papo


1Dance with body camera é parte da pesquisa de mestrado de Michel Schettert sobre videodança.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Demanda

Inicialmente, 10 vagas foram oferecidas para a oficina realizada no Centro Coreográfico do Rio, mas a oferta subiu para 15 logo após o número de inscritos confirmar o crescente interesse do público pela videodança. O email da coordenação de oficinas abaixo explicita a demanda:


O gênero vem ganhando força nas cenas da dança e do audiovisual, atraindo artistas que desejam experimentar o diálogo entre as linguagens. A oficina propõe então um grande encontro com objetivo não só de apresentar aspectos históricos e técnicos da videodança, mas também de levantar quais as potencialidades a serem exploradas na sua produção.
Em 2 dias, vimos um pouco do surgimento da videodança e fizemos exercícios envolvendo a ideia de corpo-câmera. O assunto da edição poderia ter sido aprofundado caso houvesse mais tempo. Os participantes mostraram interesse por um plano maior de encontros, visto que 2 dias de oficina foram suficientes apenas para se discutir o básico da videodança. Nesse sentido, alguns participantes enviaram pedidos à coordenação:



Uma entrevista com outros dois participantes também revelou esta demanda:
Marcondes Mesqueu - "Acho muito importante todo esse conhecimento ser socializado com aqueles que fazem arte. A oficina de videodança vem para aprimorar os profissionais, aprimorar a socialização da informação e isso depende de mais tempo pra ser mais eficiente."
Gabriela Gaia - "Essa experiência promoveu o encontro entre artistas de diversas áreas e o papel do Michel como mediador foi importante para apresentar essas novas referências e ideias que envolvem a criação da videodança. As discussões foram muito enriquecedoras, deixando um gostinho de quero mais".